A Entidade

Histórico

Final da ditadura militar, com a insatisfação represada, um grupo de empregados da Embasa teve um sonho: criar um sindicato independente, forte e combativo, que lutasse e contribuísse para a construção de um novo sindicalismo, levantando ao mesmo tempo as bandeiras da liberdade e da democracia. Desde 1979 havia uma associação que os representava, mas acomodada, era alvo de muitos questionamentos. Para “tomá-la” e transformá-la em sindicato foram muitas lutas, manifestações e até passeatas nas ruas de Salvador. Foi nesse cenário que surgiu o SINDAE. Nossa entidade teve a sua Carta Sindical entregue em Brasília no dia 29 de abril de 1986 e passou a funcionar inicialmente na sede da antiga associação, uma casinha simples no Barbalho.

De imediato, além dos trabalhadores da Embasa, o SINDAE passou a representar os da Cerb e da Cetrel. Em seguida foram incorporados os trabalhadores de vários Serviços Autônomos de Água e Esgoto (Saae's) existentes na Bahia. E assim, logo se destacou por ser um dos sindicatos brasileiros com maior nível de representatividade de uma categoria, representando 93% dos trabalhadores da sua base.

O começo foi de muita luta. Disposto a fazer um sindicalismo diferente do modelo pelego, autoritário e fascista implantado por Getúlio Vargas, o SINDAE logo iniciou a batalha contra a indicação de juízes classistas para o Tribunal Regional do Trabalho e a cobrança do imposto sindical. Até hoje o SINDAE é dos poucos sindicatos do país a não aceitar a cobrança desse famigerado imposto.

Ao mesmo tempo a nossa entidade implantou estruturas de representação dos trabalhadores nos próprios locais de trabalho para que decisões fossem tomadas de forma democrática, transparente e participativa. Não demorou a ocorrer embates com as empresas e já nas negociações do primeiro acordo coletivo de trabalho na Cetrel “estourou” a primeira greve da categoria, que acabou poucos dias depois, e com uma grande vitória.

Muitas greves se seguiram, e várias delas marcantes, a exemplo daquela que buscou reintegrar os mais de mil demitidos da Embasa em 1986, outra que lutou contra o corte de direitos e benefícios trabalhistas em 1993 nessa mesma empresa e que chegou a durar 29 dias. Como também uma que durou 27 dias, na Cerb, em 2004, visando o pagamento de dissídios coletivos.

Também manifestações e protestos históricos não faltaram. Foram passeatas no centro de Salvador contra o autoritarismo e as ações ilegais da Embasa, a invasão da Câmara de Vereadores por trabalhadores de rosto coberto por máscaras, para denunciar a perseguição e ameaças de demissão aos manifestantes, e o protesto na audiência para privatização da Embasa, que terminou em pancadaria promovida pelo governo estadual, quando sindicalistas e parlamentares de oposição foram agredidos pelos chamados P-2. Também houve uma grande assembléia diante da Assembléia Legislativa, quando os trabalhadores aprovaram o aumento da mensalidade ao SINDAE para garantir a sobrevivência dos 17 dirigentes sindicais demitidos no Governo de ACM, a partir de 1993.

Foi o SINDAE, logo no começo da década de 90, a primeira entidade do Brasil a denunciar o plano do governo brasileiro de privatizar a água, vendendo as companhias estaduais de saneamento para seguir as imposições do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Aliás, não apenas levantou a bandeira, como se destacou internacionalmente ao promover essa luta. Seus dirigentes fizeram inúmeras palestras, seja no estado, no país como no exterior, nas Câmaras de Vereadores e na Assembléia Legislativa. Com muito sucesso, publicou o trabalho “Terra, Planeta Água”, e organizou o “Grito da Água”, ambos com a finalidade de denunciar a tentativa de defender a gestão pública da água e de mostrar a degradação dos mananciais hídricos no Brasil e no planeta. reserva financeira da entidade naquela época.

Mas a batalha que mais projetou o Sindae foi, sem dúvida, a que buscou impedir a privatização da água. Trata-se de uma história que teve início no começo dos anos 90, quando o governo brasileiro aceitou o plano do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial para privatizar as companhias estaduais de saneamento. A manobra estava contida no Projeto de Modernização do Setor de Saneamento (PMSS), cujo objetivo era “enxugar” empresas e torná-las atraentes para a iniciativa privada. O Sindae foi a primeira entidade no Brasil a descobrir e denunciar o ardiloso plano e partiu para uma luta ferrenha.