Gota D'água

Sindae debate Nota Técnica desprezada pelo CONSAD e que apontou falhas no “Moderniza”

11/02/2026

Sindae debate Nota Técnica desprezada pelo CONSAD e que apontou falhas no “Moderniza”

Em live realizada na tarde desta quarta-feira (11/02), o Sindae promoveu mais um Papo Coletivo, desta vez com convidados importantes para tratar do programa de reorganização da Embasa, o chamado “Moderniza”, bem como de suas implicações para o futuro da empresa.

Tendo como parâmetro experiências ocorridas na Sabesp e na Copasa, ficou claro que a proposta que está sendo implementada segue uma cartilha da “Faria Lima” e representa um alerta para o futuro da empresa pública, embora tanto a gestão da empresa quanto o governo neguem qualquer intenção de privatização.

Para a conversa, foram convidados Amauri Pollachi e Lucas Tonaco, que relataram o fracasso de mudanças organizacionais com o objetivo de atender às expectativas do mercado em detrimento da população. Além deles, o programa contou com a participação de César Ramos, que, junto a Abelardo Oliveira, vem realizando um excelente trabalho de assessoramento ao sindicato. Ambos são autores da Nota Técnica, elaborada a pedido da direção do Sindae, que trouxe contribuições importantes para a proposta de mudança organizacional da Embasa, mas que foi rejeitada pelo Conselho de Administração da empresa (CONSAD).

A Nota, com 10 páginas, faz uma avaliação crítica do “Moderniza” e também apresenta observações positivas, destacando o esforço de atualização metodológica, com a adoção de instrumentos modernos de planejamento; a tentativa de organizar processos sob uma lógica mais clara de cadeia de valor; e a preocupação em alinhar a estrutura organizacional a desafios emergentes, como a transformação digital, a modernização das modelagens contratuais e o incremento da capacidade de entrega. Esses elementos demonstram intenção legítima de aprimorar a governança corporativa e atualizar práticas internas, o que é positivo e converge com tendências observadas em estatais mais maduras.

Apesar desses méritos, o “Moderniza” também apresenta fragilidades que comprometem seus resultados. O planejamento estratégico, a cadeia de valor e a estrutura organizacional não se conectam de maneira fluida, e as etapas do projeto parecem ter evoluído de forma relativamente dissociada.

Entre os problemas apontados, a proposta de extinguir as duas diretorias regionais e concentrar a execução territorial sob uma Diretoria Operacional finalística cria um descompasso entre o escopo multissetorial das unidades regionais e a amplitude temática restrita da diretoria à qual seriam vinculadas. Essa assimetria amplia excessivamente a amplitude de controle e compromete a capacidade de coordenação territorial, questão relevante diante dos desafios da universalização e da necessidade de articulação com microrregiões e municípios.

Veja a live completa no YouTube do Sindae Bahia. LINK AQUI