Gota D'água

Eleições 2020 Se ligue no seu voto: campanha mostra o risco da privatização da água e defende o município

14/08/2020

Eleições 2020 Se ligue no seu voto: campanha mostra o risco da privatização da água e defende o município

A cumprir o que está na lei, os municípios brasileiros, com seus prefeitos, vereadores e habitantes, caminham para perder qualquer poder de tomar decisões em matéria de saneamento (abastecimento de água e esgotamento sanitário).

E como diz o ditado popular, se miséria pouca é bobagem, esses mesmos municípios também vão começar a experimentar um empobrecimento paulatinamente, com a transferência de suas riquezas para os cofres de gente totalmente estranha à terra.

Impedir que isso aconteça é o objetivo de uma campanha que está sendo lançada nesta sexta (14) pela Confederação Nacional dos Urbanitários (CNU), mostrando aos candidatos a prefeito e a vereador, e sobretudo aos eleitores, que todos podem reagir contra isso a partir das eleições de novembro próximo. Fazer do voto e da eleição instrumentos que pressionem as autoridades para que esse desastre seja contido. 

Pela perversidade que está na lei, é de suma importância que as pessoas dediquem atenção ao assunto. A campanha é intitulada de “Plataforma Nacional Saneamento e Eleições 2020”, será lançada às 15 horas desta sexta (14) pelo facebook (você acompanha em @fnucut) e dela consta uma carta compromisso que o eleitor deve pedir ao candidato que assine, comprometendo-se na defesa do município em matéria de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

Toda eleição é crucial para decidir o destino do povo, para o bem ou para o mal, e não será diferente nessa que acontecerá em novembro próximo. Para quem ainda não sabe o que está em jogo em matéria de saneamento, eis um resumo: o presidente Bolsonaro aprovou a Lei 14.026 em julho último, com o objetivo de transferir para empresas privadas a gestão dos serviços de água e esgoto. Alega que é para levar esses serviços para toda a população.

Os bastidores do poder revelam algo bem diferente: isso é a chamada privatização da água, desejo de grandes grupos empresariais do Brasil e do exterior para fazer disso uma inesgotável fonte de lucro. Em nosso país, onde mais falta água e esgoto é nas periferias das grandes cidades e na zona rural. Mas quem mora nesses locais é a população pobre, que não pode pagar tarifas caras nem gerar o lucro que o empresário deseja. Em suma, a deficiência dos serviços vai continuar. E o lucro a ser gerado nas “partes ricas” irão para o cofre dessas corporações, deixando de circular nas cidades, quebrando toda uma cadeia econômica e produzindo empobrecimento.

O que se pretende é que candidatos e eleitores tomem partido nestas eleições e pressionem as autoridades para evitar esse desastre que se coloca no horizonte. A privatização da água tem produzido efeitos perversos e cerca de 300 cidades, no mundo inteiro, já desistiram dela, como Atlanta (Estados Unidos), Berlim (Alemanha), Paris (França) e Buenos Aires (Argentina).  No Brasil, Manaus é o retrato do fracasso: o saneamento tem 20 anos sob gestão privada, e mesmo banhada pelo colossal Rio Negro, tem 600 mil pessoas sem abastecimento de água. E apenas 12,4% do esgoto é coletado, e desse só um terço é tratado.

Disso, resulta que o candidato e o eleitor devem exigir serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário para toda a população, com tarifas a preços módicos, e prestado de forma eficiente e com qualidade. Como essa lógica não cabe o lucro, é preciso defender o saneamento público, como dever do estado e direito do cidadão.