Gota D'água

Sindae completa 34 anos e enfrenta seu maior desafio

29/04/2020

Sindae completa 34 anos e enfrenta seu maior desafio


 

No meio de uma pandemia que representa um dos maiores desafios da humanidade, o Sindae completa 34 anos de vida neste 29 de abril e se mantém na mesma trincheira na qual teve origem, a da luta. Nem a ciência sabe, ainda, onde vai desaguar e quais as consequências dessa passagem do coronavírus sobre a terra, além de estar provocando mortes aos montes, mas isso não é motivo de abatimento, ao contrário, serve de encorajamento para enfrentar esse momento, pois sabemos todos e todas que no capitalismo, seja qual for o evento, a classe trabalhadora sempre é chamada a pagar o preço mais alto.

A luta contra a injustiça social e por melhores condições de vida e trabalho foi o que fez brotar o Sindae na distante década de 80, quando o Brasil vivia em plena ditadura militar. Naquela época sombria da história de nosso país a Bahia era dominada por um velho coronel, ACM, também ditatorial. Foi nesse caldo político que se ergueram lideranças em defesa da nossa categoria e que até hoje nos servem de guias, tais como Paulo Jackson, Adilson Gallo, Aurino Reis, Hélio Bispo, Valter, Crispim e tantos e tantas que, como eles, tombaram em luta ou seguem lutando por um mundo melhor, por mais liberdade e democracia. O sonho deles de criar um sindicato forte, livre e combativo segue presente.

O combate travado por tantos (as) guerreiros (as) transformou o Sindae numa referência para o movimento sindical brasileiro e alcançamos o patamar de um Sindicato Cidadão, que não se completa apenas com a defesa da classe trabalhadora, mas também do conjunto da sociedade, mostrando a ela que tem direito a saneamento básico de qualidade, eficiente, universal e público. Marcamos nossa trajetória pela luta aguerrida contra a privatização da água, batalha bem sucedida até aqui e que se desenrola desde que o “velho” ACM tentou de tudo para vender a Embasa, inclusive no exterior. Essa foi uma luta que ganhou reconhecimento internacional.
Já que vivemos esses tempos bicudos de luta pela vida, vale lembrar que o Sindae tem sua trajetória marcada por iniciativas importantes na vida social. Participou das conferências históricas de saúde do trabalhador que resultaram na inclusão do direito à saúde pública na Constituição de 1988, resultando inclusive na criação do Sistema Único de Saúde, o SUS, hoje o principal instrumento de socorro de saúde à sociedade brasileira. Além disso, a própria categoria teve uma experiência exitosa com a criação das Comissões de Saúde, um avanço extraordinário em relação às Cipa’s mas que, infelizmente, as empresas conseguiram sufocar.

E se o planeta está sendo fortemente sacudido agora pela crise de saúde, já o vinha e continua sendo agredido em outras frentes. Isso tem feito com que o Sindae marque sua atuação também na defesa do meio ambiente, da economia sustentável, da preservação dos rios, nascentes, cursos d’água e matas ciliares. É fundamental conter a devastação do capitalismo selvagem sobre o planeta, e no Brasil em particular, impedindo mais retrocessos nas políticas ambientais que têm sido uma marca do governo Bolsonaro e que põem em risco a humanidade como um todo.

Hoje o Sindae enfrenta o maior de todos os seus desafios e se coloca junto com toda a população mundial, para enfrentar o pior dos inimigos, o mortal coronavírus. Estamos plenamente mobilizados na defesa da categoria e várias ações foram feitas até aqui para proteger a saúde dos (das) trabalhadores (s), como a ampliação da vigência de acordos coletivos, implantação de novas escalas para o turno de revezamento, colocação do pessoal em trabalho remoto, criação de diferentes regimes de serviço, distribuição de equipamentos individuais de proteção (EPI’s), tudo isso como forma de evitar o contágio das pessoas com o vírus.

Não é demais repetir que vivemos o maior desafio da história e onde a água continua sendo o elemento central: é ela que garante a vida e também a necessária higiene das pessoas para evitar o coronavírus. Não é o único inimigo: também temos diante de nós um governo que retoma com toda a força a vontade de privatização do saneamento e, mais do que isso, ataca sistematicamente a classe trabalhadora desde que chegou ao poder. Não quer a existência de sindicatos e deles vem tentando retirar as contribuições dos (das) trabalhadores (as), a fim de asfixiá-lo, de exterminá-los, abrindo todos os caminhos para a retirada de mais e mais direitos trabalhistas, insatisfeitos que está com as reformas legislativas já feitas e que causaram profundos cortes em nossas conquistas históricas. 

Estamos numa conjuntura absurdamente difícil, mas a luta não pode parar. Se hoje temos um governo (Bolsonaro) que debocha da força desse vírus e das mortes que ele segue provocando, da nossa parte vamos continuar empunhando firmes e fortes a bandeira da vida. Se faz necessário que cada trabalhador, cada trabalhadora, tenha consciência do momento e fortaleça sua entidade, o mais eficiente instrumento para a defesa dos seus interesses. Temos de ter toda a categoria filiada, colaborando, porque a luta será difícil e longa, não sabemos quando irá terminar. Sabemos, sim, que sua colaboração é imprescindível.

A pandemia do coronavírus vai passar e o Sindicato precisa continuar vivo.

Juntos, somos mais fortes. E que venha mais um ano de vida e de luta!