Gota D'água

Imprensa anuncia plano de Rui Costa para abrir capital da Embasa

17/12/2019

Adepto confesso da parceria público-privada (PPP), o governador Rui Costa teria reforçado seu lado privatista ao afirmar para a imprensa paulista, na última sexta (13), sua intenção de abrir o capital da Embasa no próximo ano. Seja uma forma, seja a outra, vai dar na privatização da água, uma opção muito boa para grandes empresários, mas péssima para a sociedade, sobretudo para a população pobre.

De acordo com o Jornal Folha de S. Paulo, Rui Costa teria anunciado a intenção de abrir o capital da Embasa logo após participar, na Bolsa de Valores, do leilão que consagrou o grupo chinês que vai construir a ponte Salvador-Itaparica.Segundo o jornal, o plano dele é vender 42% do capital da empresa e arrecadar entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. Rui teria dito, inclusive, que já existem investidores interessados e que fará mais duas parcerias público-privadas no saneamento, uma para Salvador e outra para Feira de Santana.

Tem o lado ruim: estudos da própria Embasa apontam a abertura do capital como inviável. Não tem contrato com grandes municípios (os mais rentáveis), o que diminui seu valor, e com pouco valor não atrai interessados. Além disso, perde a imunidade tributária que dispõe hoje e teria de recolher milhões em impostos.

No começo do ano o Sindicato cobrou de Rui Costa se era verdade o boato sobre abertura de capital. Ele disse que estava em estudo. Na última quarta, na confraternização da Embasa, o secretário de Infraestrutura Hídrica, Leonardo Góes, defendeu a abertura do capital. 

A ser verdade esse plano, o lado pragmático do governador subiu ao topo e ele tudo fará para alcançar seus objetivos políticos, incluindo aí a privatização da água. Nos bastidores se comenta que ele quer se candidatar a presidência da República. Até aqui tem boa avaliação do eleitorado, é reconhecido por tocar grandes obras e, pelo andar da carruagem, segundo os analistas, não descartaria nem mesmo vender a Embasa nem privatizar a água. Mas pode cair em equívocos: grandes cidades, no mundo inteiro, estão retomando os serviços que estavam com empresas privadas. Não é pouca coisa não: água privatizada é cara e o serviço ruim. E aqui tem tudo para ser pior: a pobreza é grande e a sede de água não espera.